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domingo, junho 01, 2008

Pela Feira do Livro Fora...

Mendigos e altivos, Albert Cossery

O jogo do mundo, Julio Cortázar

Pais e filhos, Ivan Turguéniev

Confusão de Sentimentos, Stefan Zweig

terça-feira, abril 29, 2008

Geração Queimada da América

"Dezanove contos da autoria dos jovens escritores norte-americanos mais promissores,da geração pós-pós moderna, pós-geração X, pré-11 de Setembro, marcada por uma melancolia e um talento inexplicáveis."

domingo, junho 03, 2007

Feira do Livro - O pátio maldito, Ivo Andric

"Frei Petar, monge bósnio cristão, é preso por engano e encarcerado na prisão de pior reputação duma Istambul sob o Império Otomano: "O Pátio Maldito". Nesta, cruzam-se assassinos, violadores, assaltantes, conspiradores, mas também inocentes e falsamente acusados de todas as classes e religiões, cada qual com um percurso, uma história e várias mentiras. Entre ódios e recordações vão-se misturando presente e passado, realidade e ficção, numa história de histórias.
Este livro, considerado a obra-prima de Ivo Andric, único prémio Nobel jugoslavo, é uma notável metáfora sobre a harmonia entre os homens em condições adversas. No estilo que o celebrizou, Andric descreve os processos pelos quais a História se entranha na vida dos indivíduos e neles se reflecte, num eterno jogo entre o particular e o universal, ao mesmo tempo que põe a nu a raiz dos conflitos que têm assolado os Balcãs ao longo dos séculos."

quarta-feira, abril 25, 2007

A Invenção de Morel (Adolfo Bioy Casares)

"Compreendia agora que os romancistas nos proponham fantasmas que se lamentam. Os mortos continuam entre os vivos. Custa-lhes mudar de costumes, renunciar ao tabaco, ao prestígio de violadores de mulheres. Fiquei horrorizado (pensei com teatralidade interior) por ser invisível; horrorizado por Faustine, próxima, estar noutro planeta; mas estou morto, estou fora de alcance; todas as soluções medonhas são apenas esperanças frustradas.
A manipulação destas ideias provocava-me uma euforia crescente. À noite sonhei o seguinte: estava num manicómio. Depois de uma longa consulta (o processo?) com um médico, aminha familia levara-me para ali. O director era Morel. Por momentos eu sabia que estava na ilha; por momentos , julgava estar no manicómio; por momentos, era eu o director do manicómio.
Não acho indispensável tomar um sonho pela realidade, nem a realidade por loucura."

terça-feira, março 13, 2007

Lenz, Georg Buchner

"Por vezes apenas, quando a tempestade lançava nos vales as nuvens e elas se dissipavam pela floresta acima, e as vozes despertavam nos penhascos, primeiro como um trovão longínquo que se extingue, depois mais perto, rugindo com violência, por sons, como se no júbilo feroz quisessem celebrar a terra, e quando as nuvens explodiam como cavalos selvagens a relinchar, e quando aluz do sol as atravessava, e chegava, e desembainhava a sua espada resplandecente sobre as superfícies cobertas de neve, para que por cima dos cumes uma luz brilhante e ofuscante viesse cortar os vales; ou quando a tempestade puxava as nuvens para baixo e fendia um lago azul luminoso, e quando em seguida o vento se extinguia, e das profundezas dos desfiladeiros, dos cumes dos abetos, sussurrava para o alto, como uma canção de embalar e um repique de sinos, e quando subia pelo profundo azul um suave vermelho, e quando pequenas nuvens passavam sobre asas de prata, e todos os cumes das montanhas, cortantes e firmes , irradiavam e brilhavam muito para além da região, o seu peito dilacerou-se, deteve-se, ofegante, com o corpo curvado, os olhos e a boca escancarados, pensava ter de chamar a si a tempestade, conter em si o universo, estirou-se e ficou deitado sobre a terra, enfiava-se pelo universo adentro, era um prazer que lhe fazia mal; ou então mantinha-se imóvel, e deitava a cabeçano musgo e semicerrava os olhos, e então tudo era puxado para longe dele, a terra cedia debaixo dele, tornava-se pequena como uma estrela errante, e submergia num curso de água tumultuoso,que fazia correr debaixo dele a sua torrente translúcida. Mas eram apenas instantes, e então levantava-se, taciturno, determinado, sereno, como se diante dele tivesse passado um teatro de sombras, e esquecia-se de tudo."

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O Deserto dos Tártaros (Dino Buzzati)


Título:
O deserto dos Tártaros

Autor:
Dino Buzzati

Editora:
Cavalo de Ferro

Tradução:
Margarida Periquito





O autor: Considerado como um dos autores incontornáveis da literatura mundial, Dino Buzzati (1906-1972) nasceu em San Pellegrin, em Itália. Desde cedo conciliou a escrita com o jornalismo, trabalhando no prestigiado jornal Corriere de la Sera, onde trabalhou até ao final da sua vida. Em 1939, altura em que a Itália inicia o seu envolvimento na guerra, é destacado como enviado especial na Etiópia e, um ano depois, publica «O Deserto dos Tártaros», romance que marca o início da sua fama internacional, alvo de sucessivas reedições, adaptado ao teatro por Albert Camus e posteriormente ao cinema.
Sempre no seu estilo inconfundível, que não obedece a modas ou a etiquetas, explora uma visão fantástica e absurda do real. Destacam-se, da sua vasta obra, os romances Bàrnabo delle montagne, Un amore («O Segredo do Bosque Velho») e os volumes de contos, Il crollo della Baliverna, Paura alla Scalla («Os Sete Mensageiros») que serão mais tarde compilados no volume Sessanta racconti. A par da escrita, dedica-se à pintura e à ilustração, conciliando estes universos no livro infantil ilustrado, La famosa invasione degli orsi in Sicilia, ou em, Poema a fumenti. É igualmente autor de vários textos de teatro.
A sua obra está traduzida em várias línguas e é difundida por todo mundo, tendo já vencido vários prémios, entre os quais, o prestigiado prémio Strega, e os prémios Napoli e Paese Sera.

O livro: Giovanni Drogo, recém-nomeado oficial, aproxima-se do seu destino, a fortaleza Bastiani, com um indefinível pressentimento de que algo na sua vida o conduz a uma total solidão. A fortaleza, enorme, amarela, situada nos limites do deserto, outrora reino dos míticos Tártaros, acolhe-o na sua misteriosa imponência. O tenente Drogo é contaminado pelo clima heróico de avidez de glória, que parece petrificar, numa espera perene, oficiais e soldados. Todos esperam os inimigos que um dia virão do Norte…

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Mesa de Cabeçeira - Os Cantos de Maldoror (Conde de Lautréamont)






Título:
Os Cantos de Maldoror


Autor: Isidore Ducasse, sob o pseudónimo Conde de Lautréamont

Editora: Quasi

Tradução: Pedro Tamen

Prefácio: Adolfo Luxúria Canibal



O autor:
Isidore Lucien Ducasse (Montevideo, 1846/ Paris, 1870) passou a sua infância no Uruguai, onde o seu pai era chanceler do consulado francês (a mãe morreu quando tinha apenas dois anos). Foi enviado para estudar em França, onde foi aluno interno do liceu de Tarbes, mudando-se em 1967 para Paris com a intenção de ingressar na École Polytechnique. A partir desse momento o percurso da sua vida é quase totalmente desconhecido, facto pelo qual se gerou todo um mito em seu redor, transformando-o numa das mais extravagantes e misteriosas personagens da literatura. Em 1869 publicou, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont, Os cantos de Maldoror,

O livro: que não chegaram a ser distribuídos, na altura, por medo do editor perante possíveis represálias. O conteúdo da obra - um canto à violência e encarnação pura do mal-, deixou-a no esquecimento até 1920, momento em que os surrealistas, como Octávio Paz, Georges Bataille ou André Breton, a vieram reclamar como um seu antecedente. A partir de então, Maldoror é um dos monstros mais adorados da ficção universal e Isidore Ducasse, ou Conde de Lautréamont, uma das mais fascinantes e perversas almas malditas de sempre, capaz de fazer de Sade, em muitas passagens, uma verdadeira criança no que concerne à maldade.